"Eu não quero mais segundas-feiras, quero sorrisos sinceros. Verdades machucando. Eu não quero mais ter que renunciar, isso dói. Porque, afinal tudo tem que ser uma troca? O doce ou o salgado, o quente ou o frio, o belo ou o conteúdo, o bem ou o mal, o desejo ou a necessidade, a razão ou a emoção.
E por que a obrigação sempre deve vir antes do prazer? Eu desejo um pouco de coragem, pra quem tentar inverter a ordem. Porque eu, eu não me atrevo.
Era pra dar tempo, tempo pra viver mais, pra sentir mais. Assim não perderíamos as gotinhas de orvalho caindo sobre as folhas, os raios de sol surgindo no horizonte ainda pela manhã, a última estrela desaparecer no céu, a lua nascer e se despedir. Noite e dia como uníssonos. E tempo, ainda que finito, mais longo; E porque não, quase eterno. Afinal, quase eternidade é bem melhor que nunca mais.
Quem será que inventou o cansaço? Devia ser alguém que não se atentou a todos esses detalhes, alguém que tinha preguiça de viver, que nem fez questão de se importar que viver é um grande barato, mesmo apesar de todos os pesares.
Porque a vontade vem de dentro, por isso ela é incansável. Mas o corpo, o corpo é matéria, precisa de água, precisa de fôlego, de descanso.
Mais se a dificuldade leva a valorização. Então que seja assim a vida, apesar de difícil imensamente valiosa... E linda, mesmo que curta. E que nem em sonho eu desperdice um só segundo, que ainda dormindo eu não me esqueça que é tolice desistir de vivê-la."
Autoria: Ana C. Miranda
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