Queria que o tempo me trouxesse as respostas que foram levadas pela força do vento. Queria me prender a qualquer crença que pudesse me dar alguma garantia, de que realmente existe um sentido em toda essa loucura.
Perguntas sem respostas não satisfazem ninguém. E eu, de tanto duvidar das repostas, acabei me conformando com as incertezas.
Seu um dia merecer, eu gostaria de experimentar um amor assim, como o de José e Maria. José amava Maria, e Maria também amava José. Mais não era um amor carnal, e nem comum, era um amor nascido da convivência, das experiências vividas no dia-dia.
O amor de José e Maria não era egoísta, pois era doado sem falsos interesses, sem garantia alguma de retorno. Era um amor enorme, e tinham em abundância pra distribuir a todos os filhos, amigos, familiares. Tão grande que ainda sobrava, e essas sobras eram justificadas nos momentos de solidariedade com o próximo.
Não dá pra descrever muitas coisas sobre o amor de José e Maria, pois certos sentimentos não permitem palavras capazes de traduzi-los, de tanto que são fortes, de tanto que são intensos. E a intensidade dispensa palavras, pois ela vai além do que se pode medir. Sem medidas, assim era o amor de José e Maria.
Um dia José foi embora e deixou Maria. Maria e toda a sua legião de afeto. Então Maria sentiu na pele que teria de aprender a viver sem José. Ela pensou em desistir, mas na mesma hora se deu conta de que a sua satisfação em continuar a vida era a melhor prova de alegria que ela poderia dar a José. Então Maria, também se deu conta de que nem mesmo a dor da partida teria força suficiente para separá-la de José. Porque tudo que em vida se faz verdadeiro, desafia os limites da morte.
"De uma gente que ri quando deve chorar, e não vive, apenas aguenta..."
Tio, ainda em tempo de deixar a minha última homenagem.
com saudades de sua eterna sobrinha
Ana Carla
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