Meu Bolg

terça-feira, 30 de agosto de 2011

José e Maria

Queria que o tempo me trouxesse as respostas que foram levadas pela força do vento. Queria me prender a qualquer crença que pudesse me dar alguma garantia, de que realmente existe um sentido em toda essa loucura.
Perguntas sem respostas não satisfazem ninguém. E eu, de tanto duvidar das repostas, acabei me conformando com as incertezas.

Seu um dia merecer, eu gostaria de experimentar um amor assim, como o de José e Maria. José amava Maria, e Maria também amava José. Mais não era um amor carnal, e nem comum, era um amor nascido da convivência, das experiências vividas no dia-dia.
O amor de José e Maria não era egoísta, pois era doado sem falsos interesses, sem garantia alguma de retorno. Era um amor enorme, e tinham em abundância pra distribuir a todos os filhos, amigos, familiares. Tão grande que ainda sobrava, e essas sobras eram justificadas nos momentos de solidariedade com o próximo.

Não dá pra descrever muitas coisas sobre o amor de José e Maria, pois certos sentimentos não permitem palavras capazes de traduzi-los, de tanto que são fortes, de tanto que são intensos. E a intensidade dispensa palavras, pois ela vai além do que se pode medir. Sem medidas, assim era o amor de José e Maria.

Um dia José foi embora e deixou Maria. Maria e toda a sua legião de afeto. Então Maria sentiu na pele que teria de aprender a viver sem José. Ela pensou em desistir, mas na mesma hora se deu conta de que a sua satisfação em continuar a vida era a melhor prova de alegria que ela poderia dar a José. Então Maria, também se deu conta de que nem mesmo a dor da partida teria força suficiente para separá-la de José. Porque tudo que em vida se faz verdadeiro, desafia os limites da morte.

"De uma gente que ri quando deve chorar, e não vive, apenas aguenta..."

Tio, ainda em tempo de deixar a minha última homenagem.
com saudades de sua eterna sobrinha
Ana Carla

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Cansaço desnecessário

"Eu não quero mais segundas-feiras, quero sorrisos sinceros. Verdades machucando. Eu não quero mais ter que renunciar, isso dói. Porque, afinal tudo tem que ser uma troca? O doce ou o salgado, o quente ou o frio, o belo ou o conteúdo, o bem ou o mal, o desejo ou a necessidade, a razão ou a emoção.

E por que a obrigação sempre deve vir antes do prazer? Eu desejo um pouco de coragem, pra quem tentar inverter a ordem. Porque eu, eu não me atrevo.

Era pra dar tempo, tempo pra viver mais, pra sentir mais. Assim não perderíamos as gotinhas de orvalho caindo sobre as folhas, os raios de sol surgindo no horizonte ainda pela manhã, a última estrela desaparecer no céu, a lua nascer e se despedir. Noite e dia como uníssonos. E tempo, ainda que finito, mais longo; E porque não, quase eterno. Afinal, quase eternidade é bem melhor que nunca mais.

Quem será que inventou o cansaço? Devia ser alguém que não se atentou a todos esses detalhes, alguém que tinha preguiça de viver, que nem fez questão de se importar que viver é um grande barato, mesmo apesar de todos os pesares.
Porque a vontade vem de dentro, por isso ela é incansável. Mas o corpo, o corpo é matéria, precisa de água, precisa de fôlego, de descanso.

Mais se a dificuldade leva a valorização. Então que seja assim a vida, apesar de difícil imensamente valiosa... E linda, mesmo que curta. E que nem em sonho eu desperdice um só segundo, que ainda dormindo eu não me esqueça que é tolice desistir de vivê-la."

Autoria: Ana C. Miranda