E se isso te importar, pretendo lhes contar o que vi.
Eu vi uma mulher jovem, saudável, desperdiçando sua juventudo. Cheia de compromissos, de problemas, ser devorada e entupida por tanta tecnologia. E então, eu imaginei essa mulher daqui á alguns anos. Senti pena.
Eu vi um homem sujo, vestido aos trapos, largado em um canto qualquer. Pessoas passavam por ele, com tanta pressa, sem se importar, sem nem sequer notá-lo. E então, eu (tentei) imaginar esse homem dáqui á alguns anos. Mas, que garantia de futuro ele poderia ter? Senti pena.
Eu vi uma criança, várias crianças sol á sol, se esforçando para garantir um pedaço de pão para sustentar uma família. E eu também vi, o filho de um bacana, bater o vidro na cara dessa criança. Ninguém nem parava pra entender, que mais que dinheiro, ou comida, elas mendigavam atenção. E então, eu imaginei essas crianças dáqui á alguns anos. Senti pena, mais pena do playboy e de sua atitude injustificável.
Eu vi um adolescente perdido buscando respostas, buscando apoio por becos escuros, que de tão imcompreendido, foi buscar consolo em caminhos errados. Procurando manter-se inconsciente pra não descrer de vez de seus sonhos, pra tentar fugir de um futuro, que ele sabia que nunca viria. Senti revolta.
Eu vi vários idosos não serem respeitados por seus fios de cabelo branco, em filas de bancos, calçadas, trânsito. Ninguém respeita a experiência, ninguém se importa em aprender todas as maravilhas que eles tentam ensinar. E então, eu imaginei essas pessoas daqui á alguns anos. Mais o futuro para eles, acabaria á apenas um passo, eles eram o passado. A experiência ignorada. Senti raiva.
Eu vi ricos, pobres, negros, pardos, brancos, jovens, idosos e crianças cada um tentando sobreviver á sua forma. Atropelando pessoas, atropelando á si mesmos. E aí, eu me recusei a chamar isso de vida. Não soube que nome dar á tanto desperdício.
Eu vi o mundo ser devorado por ganância, inveja, ignorância e medo. E vendo-os todos se esforçando para se diferenciarem uns dos outros, cheguei a triste conclusão de que eram todos iguais.
Na disputa por poder, dinheiro e ambição, na luta diária pra ver quem ganha mais, quem perde mais... Entre mortos e feridos, entre a busca terrível para alcançar a superioridade e a sede de luta para sair da inferioridade, eu percebi que somos todos iguais, terrivelmente iguais.
E no final das contas, somos todos uns coitadinhos, cada um á sua forma, cada um á sua maneira. E então, eu imaginei o futuro desse mundo... (pausa para digestão), eu sinceramente prefiro omitir a minha visão de futuro.
Por favor, não me dêem atenção!
Por favor, me ignorem!
Pra que desperdiçar tempo com emoções patéticas?
Agora faça um favorzinho á si mesmo... Volte para o seu mundinho perfeito!
Autoria: Ana C. Miranda
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