Promessas de um verão não sobrevivem á todas as estações, pelo menos as suas desfizeram-se antes mesmo, que a próxima estação se aproximasse. Talvez palavras também se dissolvam como gotas de chuva e promessas também evaporem.
E foi assim durante tantas estações, flores de primavera colorindo as manhãs, brilho intenso iluminando as tardes de sol, e dentro de mim um inverno constante prevalecia. Nas fases de frio intenso e madrugadas neblinosas, era como se as temperaturas baixas nem me afetassem tanto. As tardes de outono e as noites longas de inverno eram agradáveis comparadas ao frio que me habitava já a tantos dias.
Não importava as estações, dentro de mim era sempre inverno, dentro de mim estava sempre frio, tão frio!
E quando dentro de mim o sol finalmente se abriu, eu me dei conta, de que o frio que a sua falta me causava simplismente havia ido embora, frio esse, resistente á mais quente de todas as estações.
Autoria: Ana C. Miranda
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