Houve um tempo em que me dediquei desesperadamente á fugir das criticas, dos olhos que tanto me condenavam. Fazendo de conta que era perfeita, perdida e insegura no meu universo inventado.
Muitas vezes é bem mais fácil se desviar de certos comentários, do que dar a cara pra bater se mostrando como tal realmente é.
Pessoas são distintas, pessoas são maldosas, exageradamente bondosas, pessoas são imprevesiveis, ou pateticamente previsiveis, pessoas são pessoas. Eu sou uma pessoa.
O que ocorre num mundo de realidade tão cega é que nos deram modelos, nos deram "heróis", nos deram exemplos, tendências e uma lista infinita de erros e acertos, de justo e injusto, de bem e de mal. Nos transformaram em seres alienados e robotizados, nos empurraram doses e mais doses de suas centradas regras garganta á baixo, regras que até hoje somos forçados a engolir. Nos disseram como ser, como viver, o que fazer e o que sentir.
Regras, estou tão cheia delas, seus exageros e suas doses intermináveis me causam uma terrível indigestão. É isso, eu estou ansiada, indigesta de tanto engolir tais regras. Nos deram uma versão decorada sobre o que é ter ética, sobre o que é agir com ética. Mas nunca nos perguntaram onde estaria, de fato, a nossa felicidade.
Afinal, quem se importa?
Poucas pessoas são capazes de enxergar, e muitas se negam a enxergar, porque as vezes, ser feliz custa tão caro, e poucos estão dispostos a pagar esse preço.
FELICIDADE é uma virtude dos corajosos, insanos, loucos, independentes de si mesmos.
FELICIDADE é pra quem sabe quebrar regras, pra quem ama correr riscos, pra quem supera seus próprios medos.
FELICIDADE é pra quem luta, pra quem conquista, pra quem merece. È pra quem enfrenta os tantos preconceitos de cabeça erguida, pra quem dá a cara pra julgar.
Covardes são infelizes. Não passam de uma imagem sorridente para o mundo, mas amarga dentro de si mesmos. Quem não abandona as regras, nunca saberá de verdade desfrutar o sabor de uma felicidade plena, aquela que vem de dentro e se reflete por fora.
Fácil é obedecer regras e viver de acordo com certos preceitos. Dificil mesmo é estufar o peito, cuspir na cara dos julgadores e dizer: Eu sou assim, e me orgulho muito do que me tornei!
Aprendi a me revelar como sou, sem vergonha de mim mesma, sem medo de sofrer julgamentos e nem aí pra esse teatro todo que nos ensaiaram. Esse tipo de espetáculo ensaiado eu tô dispensando, já tem palhaço demais nesse circo, e a minha felicidade é coisa séria, eu tenho todo direito de viver o meu próprio espetáculo e de ensaiado, ele não tem nada.
E quem disse que eu não sigo regras?
Eu criei as minhas!!!!
Ana C. Miranda
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