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quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Garota estúpida!

Garota estúpida senta na escada de um subúrbio qualquer, sozinha num cenário escuro. Enquanto pensamentos habitavam sua mente ela se via cada vez mais próxima de lembranças indesejáveis das quais somente queria esquecer. Enquanto a miragem das lembranças lhe fizessem companhia, solitária ela não poderia prevalecer.
Pobre garota estúpida, quis provar novos venenos, alçar novos e arriscados vôos. Ela não pensou apenas se jogou, garota estúpida não pensa.
Com o orgulho cegamente ferido, ela tenta buscar um equilíbrio entre aquilo que foi e a figura estranha em que se tornara. O que seu desejo incontrolável por mudanças fizerá com sua antiga imagem. Garota estúpida, no que se transformou?
Atordoada, ela buscava culpar qualquer motivo que fosse para não ferir de remorsso a si mesma, pelo fracasso de suas próprias vontades. Traidoras eram as suas vontades, mortais tornaram-se seus desejos. Lutando contra as próprias lágrimas, ela teimava em não as deixar cair. Garotas estúpidas não choram.
Se pudesse, refugiava-se numa loucura qualquer, abandonaria a si mesma. Qualquer invenção de personalidade, seria melhor do que enfrentar a estranha figura em que havia se tornado. Garotas estúpidas não fogem.
E agora garota estúpida, qual caminho seguirá?
Num ato impensado de desespero tentou matar de dentro de si aquela estranha que a habitava. Garota estúpida, suicidara-se!
Garota estúpida deitada na escada de um subúrbio qualquer, sozinha num cenário escuro. Agora nem pensamentos lhe faziam companhia, ela enfim se livrará de todos eles!

Autoria: Ana C. Miranda

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