É assim que eu me vejo agora. Parada, solitária, desamparada de tudo que eu imaginava ser verdade, incrédula. No centro de um abismo qualquer, onde enormes e exageradas flexas me apontem milhares de caminhos. Sigo reto, viro á esquerda, talvez para direita, ou eu posso arriscar um pouco mais e tentar uma curva mais ousada, ou quem sabe se eu me sentir cansada e preguiçosa, eu possa pegar o atálio mais curto, só pra tentar chegar mais rápido a lugar nenhum. Lugar nenhum é tão íntimo para mim, porque só eu sei que em lugar nenhum desse insano mundinho alguém poderá compreender metade do que eu estou sentindo agora.
E para onde devo ir então? Um dia, ouvi uma sábia dizer que a direção era mais importante que a velocidade, e eu acho mesmo que ela estava com a razão. Portanto, decidi ir pra qualquer lugar desde que seja para frente. E se eu errar o caminho eu posso reiventar tudo de novo. Qualquer canto dessa confusão deve ser mais acolhedor do que lugar nenhum. Mas, quem sabe se eu conseguir encontrar o lugar que tanto procuro, eu até me assuste ao encontrar pessoas tão sei lá como eu por lá. Isso sim, eu chamaria de bizarro, baby!
Talvez eu encontre alguém pelo caminho que possa me entender um pouco, que saiba tanto quanto eu que viver dói, e dói muito mais para seres incompreendidos como essa que vos fala. Mais viver não é tão doído, o que faz aumentar a dor é não ter com quem dividir as feridas. Talvez a culpa seja inteiramente minha, que tenho pânico de me prender, de me apegar. E sempre que a mesmice volta a me incomodar eu fujo, sem rumo, sem lembranças.... Vazia, solitária.
Então eu me vejo solitária nessa confusão sempre me perguntando qual direção seguir, e eu sempre volto para o mesmo lugar. E nenhum canto do mundo sabe mais de mim do que lugar nenhum. Se quiser me encontrar, me procure por lá, mas cuidado quando entrar, você pode nunca mais conseguir voltar. É preciso coragem pra conseguir encarar essa confusão.
Ana C. Miranda
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