Meu Bolg

sábado, 4 de setembro de 2010

Teu silêncio

Nossos olhares se conversam, mas não se compreendem. Se soubesses o medo que sinto desse teu silêncio absoluto. Esse silêncio que parece gritar coisas tão dificeis de entender.
É esse silêncio que me faz muda, que te deixa imóvel. Seria o silêncio de quem sente medo de falar, ou seria o silêncio de quem realmente não tem nada a dizer?
E as palavras repetidas, tantas vezes ditas, mas jamais compreendidas?
Agora percebo, esse silêncio é nada mais do que o resultado de quem cansou de dizer e jamais foi ouvido, não da forma como gostaria de ser ouvido.
O silêncio, o nosso silêncio. Nada mais que uma consequência de milhares de palavras desperdiçadas, sem nenhum compreendimento.
Somos tolos, nunca paramos para refletir o tempo que perdemos, pois palavra nehuma consegue decifrar, aquilo que os olhos já se cansaram de mostrar. Palavras traduzem tantas coisas, para nós elas foram destruidoras. Não soubemos a forma certa de dizer, a hora certa pra dizer, a coisa ceta pra dizer.
Mas como traduzir em palavras, todas as coisas que grita um olhar?
O silêncio que te emudece, não é o mesmo que vejo refletido em seus olhos. Olhos que por tanto tempo quiseram me dizer tantas coisas, eu me recusava a entender.
Agora não me resta outra saída, se não a dificil tarefa de traduzir as poucas palavras que o teu silêncio ainda teima em me falar.  Quanta coisa entrega o teu olhar. Esse teu silêncio, dói demais.
Nunca imaginei encontrar tantas repostas em sua mudez. Teu silêncio me forçou a isso, agora entendo o que teus olhos por tanto tempo quiseram me mostrar, agora eu percebo o quanto tinha pra me falar, agora eu sei, agora, tarde demais!
Um silêncio de vazio, um silêncio de adeus, um silêncio cansado de alguém que já não pode mais ficar.
Um silêncio e nada mais, foi o que sobrou entre você e eu.


Autoria: Ana C. Miranda

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